Quando se nasce o nosso coração é inteiro. Fechado. Envolto... aos pouquinhos que se vai abrindo e aprendendo o que é o amor, a amar-se, a amar alguém e, da dor do amor.
Com o passar dos anos vamos nos entregando às paixões, às esperanças, às expectativas de encontrar a felicidade. E as decepções chegam e marcam fundo... e, o fechamos !
Nosso erro é exatamente esse : fechá-lo com todos esses ingredientes por dentro : mágoas, ressentimentos, amargura... resultando feridas profundas na alma.Algumas in-cicatrizáveis. Levando seus portadores a serem doentes do males que delas resultam.
É preciso deixar fenda onde as tristezas evacuem... liberem lugar para que o amor entre novamente e faça morada eterna – uma vez que é mandamento divino amar-nos mútuamente.
Só que é preciso ter-se cuidado ! Cuidado para não deixar que esta fenda seja grande demais. Um coração cansado, machucado e carente é uma presa fácil.
Pessoas que vivem desgastadas por uma vida onde os sonhos parecem já não mais existir, podem confundir com amor a necessidade de sentir de novo emoção e paixão.
Pessoas que encontram sua ‘alma-gêmea’ no momento exato que se sentem fragilizadas, precisam ter o cuidado para não fazer deste sentimento uma auto-armadilha pela sua frágil vulnerabilidade.
Sei que é difícil ser objetivamente racional... lucidamente emocional nessas horas.
A monotonia do dia a dia.
A mesmice dos anos a fio.
A rotina da relação a dois pode fazer com que seja visto as coisas de fora bem mais bonita e atraente do que realmente é.
Há momento onde queremos voltar no tempo da adolescência e sonhar de novo com um grande amor.
Se quer paixão.
Se quer sentir o coração batendo mais forte, ou, parando de bater ... com ele na boca pelo amado (a) que se vê.
A dor no estômago da espera de um encontro marcado... a felicidade misturada com ansiedade ou não sei o quê...
Nessas horas deixamos uma fenda grande demais nele (coração) e só a aceitação de alguém, a atenção e/ou uma palavra carregada de carinho, um gesto gentil... levam a tomar forma de amor o que na realidade não passa de necessidade.
Necessidade de re-viver ! Sentir-se vivo (a) de novo.
Sei como dói ouvir coisas assim... pois, tudo passa a não ter tanto sentido. É quando se acorda de uma sonolência quase letárgica e observamos que aquela pessoa amada e ‘perfeita’ não é tão perfeita assim.
O grande amor que chegou e instalou-se não é tão grande assim. E constatamos que quando se está afogando é fácil segurar na primeira tábua que nos cai nas mãos. Mas, isso pode ser apenas um meio de se nadar até a praia e enxergar novos rumos e horizontes.
Uma vida mal resolvida não encontra soluções mágicas em um amor que acabou de chegar. Cada coisa ao seu tempo.
Antes de deixar entrar alguém pela fenda do coração, jogue fora sua infelicidade, cure-se dos sentimentos nocivos e permita-se a cicatrização das feridas abertas.
Faça faxina interna !
Coloque-se em ordem... dentro !
Isole-se para uma auto-reflexão sincera !
Um amor verdadeiro talvez te espere do outro lado, e então irá saber que quem se tem ao lado não é por carência, mas, porque a vida resolveu te dar uma segunda chance.

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